
Recomposta do meu encontro com o Sidney (íntima, veja post anterior), e já com a pressão em valores compatíveis aos definidos pela OMS, a vida volta ao seu rumo normal. Note que se deparar com celebridades brasileiras em Londres é algo raro, e também pudera, não estamos na Ilha de Caras (o que de certa forma se lamenta).
Já o mesmo não se pode dizer das celebs internacionais, principalmente em Notting Hill onde eu moro, que aliás se tornou um dos bairros mais descolados de Londres graças à minha presença, he-he digo, graças ao filme do mesmo nome, e aos milhares de turistas que diariamente querem tirar foto na "livraria do Ríu Granti” (Hugh Grant).
Tome como exemplo a secretária ruiva mal-humorada do Diabo veste Prada, Emily Blunt. Eu a vi, bonitaça, numa lojinha de antiguidades. Agora pense em Brokeback Mountain e os dois cowboys que se enamoram. Exato, o loiro faleceu recentemente. Mas o moreno (Jake Gyllenhall) estava aqui, vivinho, tomando chá na calçada de um café com a fofa dele, a Legalmente Loira (Reese Witherspoon). Ambos bem discretos de chapéu e óculos em pleno verão. (Ei, não faça chacota do verão londrino, aqui também temos nossos dias de 25° C).
Claro que fiquei pasma. Ver GlobaL é fácil, vai ver HolywoodiaL, depois você me conta. Mas mesmo assim, passei chique, olhando só de reolho. Também vimos a Helen Bonham Carter passando de carro. E cruzamos o Tricky na rua.
Em ocasiões como essas, você pode aplicar desde a técnica de simultaneamente arregalar os olhos e fingir que não viu (confesso que requer certa prática), como também girar a cabeça passando a mão no cabelo enquanto olha rapidamente, tipo charmosa. Ou ainda, se você for do tipo cara de pau, pode parar ali mesmo e sacar o celular fingindo que bate-papo aos risos, com um “nem me fala, Zé!” (pros rapazes) ou “não diga, menina!” (pras moças).
Sempre e quando, não se dê vexame.
Agora respire fundo e faça uma pausa. Pense em um dos seus cantores favoritos (não vale brasileiro. Nem o Michael Jackson, porque é impossível). Isso, agora imagine o relato abaixo acontecendo com você.
Estou tomando um capuccino dilícia às 2 horas da tarde de uma terça-feira no Eletric café-restaurante-cinema (tudo em 1, que nem navalha suiça). Veja, estamos falando de uma terça-feira à tarde, um dia comum em que as pessoas normais estão trabalhando, estudando, indo no banco, ou presas no tráfico se estiverem em São Paulo. Eu, na minha ex-rotininha pessoal estava lá trabalhando wireless, junto com o love que lia o jornal.
Eis que de repente, o love me cutuca. Fração de segundo olho pra ele, e olho pra onde ele olha.
Bi...bi...bi...bibibi.. (ga-ga-gagueira). Era ela. Era a B-j-o-r-k!!! Passando na minha frente, de papo com um fulano! As-si-sim.. como se ela fosse uma mortal! Agora reflita sobre a minha situação: eu sou FÃ desta mulher.
Convenhamos que uma coisa é ir no show, ou ver o teu ídolo no backstage a 5 metros de distância. Você foi no show, esperava por isso. Outra coisa é ver a 87 centímetros, tranquila tomando café, às 2 horas da tarde, de uma terça-feira! Pô! Querem o que, te matar do coração? Francamente!!
Voltemos à cena. Como em câmera lenta, nosso olhar se encontra, eu, estática que nem lagartixa. Abaixo a cabeça. Meu coração a mil, istonãoestáacontecendo, émuitosurreal, peloamordeDeus, trazabombinha. Olho de novo, o olhar dela avisando: - Mantenha - Distância -. Quem já a viu no youtube puxando o cabelo da repórter, sabe. Também, se ela partisse pra ignorância comigo, dai eu revidaria dizendo que de-tes-tei o vestido dela de cisne. Bjork ou não, não vou engolir sapo.
Resumo: ela sai pela porta e eu e o love, atônitos. Segundos depois, disparamos em direção à janela. Da janela vemos ela se distanciar, ao ar livre, numa tranquila, numa relax, como um ser humano normal desses que fazem xixi e se alimentam e reproduzem e vão ao shopping.
Se é que eu tinha alguma possibilidade de contato de primeiro grau com ela, acabara de desperdiçá-la. Bye-bye... adeus Bjork (queixinho trêmulo).
O love vai embora e eu fico lá, passsssssada, conectada no wireless.
E não é que o danadinho volta 10 minutos depois, sorridente, e me entrega um papel com um autógrafo da deusa? Que lindo! Ele perseguiu a anja numa loja de discos ali da redondeza, e disse pra ela calma e sucintamente, com toda a elegância british que lhe é peculiar: "My wife is a huge fan of yours". Com um papel na mão, duro, esperando o tabefe.
Ela, pêga de supresa diante de tamanha classe, séria sem dizer uma palavra, pega uma caneta e assina um autógrafo, com o que parece ser “to Aletsandra”. Alguns dias depois fico sabendo por uma fã desconhecida e desconsolada (que viu a foto do autógrafo no meu flickr.com) que ela nunca dá autógrafos. Pobre fã. Eu não sei se o meu é exclusivo mesmo, mas mal sabe ela que eu literalmente não mexi nem um dedinho pra conseguir.
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